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Qui, Out

Como a eleição de domingo em Portugal coroa a geringonça

Internacional
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O Partido Socialista venceu as eleições parlamentares do domingo (6) em Portugal. O partido de centro-esquerda obteve 36,6% dos votos, o que equivale a 106 dos 230 assentos que conformam a Assembleia da República.

Como a vitória não se deu por maioria absoluta, os socialistas, que governam desde 2015, já começaram a trabalhar para tentar manter a atual aliança com outros partidos de esquerda e, assim, seguir governando.

Essa aliança inclui o Bloco de Esquerda, que tem agora 19 assentos, e a CDU (Coligação Democrática Unitária), formada pelos comunistas e pelos verdes, que tem 12 assentos. No campo oposto, o rival Partido Social-Democrata, principal partido da oposição, terminou com 28% dos votos, o que equivale a 77 assentos. O CDS (Centro Democrático Social), terminou com cinco assentos.

A eleição portuguesa marcou o crescimento dos partidos de esquerda e o encolhimento da direita. O fenômeno vai na contramão do que ocorre em outros países europeus, como a Itália, a França, a Hungria e a Alemanha, onde a direita e a extrema direita experimentam crescimento inédito no pós-Guerra (desde 1945). 

O futuro da Geringonça

 

 O resultado desta eleição foi também uma coroação da “geringonça”, nome dado à união desses mesmos partidos portugueses de esquerda em 2015. Naquele ano, os partidos de esquerda, que tinham maioria na Assembleia, vetaram a posse do primeiro-ministro de direita, Pedro Passos, e colocaram no lugar dele o atual PM, António Costa.

Esses partidos de esquerda tinham sido eleitos separadamente e não compunham uma coligação formal até então. Na verdade, esse bloco de esquerda nunca tinha estado junto num governo na história de Portugal.

Por terem formado uma aliança pós-eleitoral na ocasião, e por terem grandes diferenças programáticas entre si, esse bloco foi apelidado pejorativamente de “geringonça”.

A direita dizia à época que a experiência inusitado não sobreviveria, mas a eleição parlamentar do domingo (6) mostra que existe um caminho comum para todas essas vertentes de esquerda em Portugal. 

TN - Redação