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Seg, Nov

As perdas e ganhos na eleição americana de meio de mandato

Internacional
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Urnas dão maioria da Câmara a opositores do presidente Donald Trump, mas governistas mantêm controle do Senado 

 

 

Os dois resultados mais importantes das eleições americanas de meio de mandato, realizadas na terça-feira (6), nos EUA, são os seguintes: a oposição, do Partido Democrata, passou a controlar a Câmara. A situação, do Partido Republicano, do qual faz parte o presidente Donald Trump, manteve o controle do Senado. A maior vantagem de controlar o Senado é a possibilidade de aprovar futuras indicações presidenciais de juízes para a Suprema Corte. Trump já emplacou dois dos nove juízes atuais: Neil Goruch, em abril de 2017, e Brett Kavanaugh, em outubro de 2018. A maioria do governo, também, tende a facilitar a aprovação de projetos de interesse do presidente. A vantagem de controlar a Câmara está na abertura e na condução de investigações parlamentares que podem constranger politicamente o governo. Um exemplo é o caso das relações de Trump com a Rússia para influenciar as eleições presidenciais de 2016, ou ainda sobre as suspeitas levantadas pelo The New York Times de que o presidente construiu sua fortuna pessoal a partir de fraudes fiscais cometidas ao longo da carreira empresarial. Uma maioria opositora, também, tende naturalmente a reprovar pautas de interesse do governo.

‘Vitórias’ são relativas 

Essas eleições ocorrem a cada quatro anos e definem principalmente a Câmara, parte do Senado e parte dos governadores dos estados. Em muitos lugares são escolhidos também prefeitos, membros de tribunais, representantes escolares, autoridades de saúde e até propostas legislativas, tudo junto. Os eleitos nesta terça-feira (6) tomam posse em 3 de janeiro de 2019. Desde Bill Clinton (1993), todos os presidentes americanos, republicanos ou democratas, sempre perderam maioria da Câmara nas eleições de meio de mandato, como ocorreu com Trump agora. A única exceção foi George W. Bush, em 2002, numa disputa bastante influenciada pelos atentados às Torres Gêmeas no ano anterior, em 11 de setembro de 2001. Atacado, o país se uniu à época em torno do governo, ocupado pelo Partido Republicano de Bush. No Senado, o cenário histórico é menos claro. Ali, Clinton (democrata) perdeu a maioria tanto na primeira eleição de meio de mandato que enfrentou (1994) quanto na segunda (1998). Na sequência, Bush (republicano) ganhou na primeira (2002) e na segunda (2006). Obama manteve a maioria no Senado na primeira (2010), mas perdeu na segunda (2014). Trump, agora, manteve a maioria dos assentos do Senado em mãos republicanas.

Como fica a Câmara 

Todos os 435 assentos da Câmara de Deputados (chamada “House of Representatives”, ou literalmente “casa dos representantes”) estavam em jogo. Antes, os republicanos eram maioria. Agora, são os democratas. Pelo resultado da apuração disponível até ontem, quarta-feira (7), ainda faltava a definição de algumas vagas.

Como fica o Senado 

Apenas 35 dos 100 assentos do Senado estavam em disputa desta vez. A maioria republicana, neste caso, se manteve. Na configuração anterior, duas vagas eram ocupadas por senadores independentes.