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Dom, Set

“Com este Governo os jovens estão mais confiantes em relação ao futuro” – Presidente da JpD

Política
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O Presidente da Juventude para a Democracia (JpD) disse que os jovens estão a acreditar nas medidas adotadas por este governo e, portanto, “estão mais confiantes em relação ao futuro”, afirmando que “no passado tinha havido algumas situações que contribuíram para afastar os jovens dos nossos governantes, mas que este governo, de uma forma inteligente, conseguiu solucionar”.

Euclides Silva numa entrevista exclusiva ao Jornal Terra Nova debruça sobre várias temáticas relacionada com a camada juvenil, como as políticas do governo para o emprego e empregabilidade jovem, estágios profissionais, start-up jovem e a universidade do poder local. 

Confira a Entrevista.

1 - Euclides Silva, temos acompanhado a vossa dinâmica (JpD) e o seu périplo pelas ilhas e concelhos do arquipélago mantendo contacto com os jovens locais. Qual a sua perceção dos jovens em termos do futuro mormente ao emprego jovem? Acha que os jovens acreditam nos nossos Governantes?

A perceção que tenho é que os jovens estão a acreditar nas medidas adotadas por este governo e estão mais confiantes em relação ao futuro. Dos contactos que mantenho regularmente com eles nos diversos municípios do país sinto isso. Muitos questionam sobre as medidas anunciadas, como o start up jovem, vagas e bolsas para a formação profissional, estágios profissionais, etc. com muito interesse. Quanto a sua segunda pergunta, devo responder que sim, os jovens acreditam neste governo, apesar de haver um certo desencantamento que não vem de agora. Tinha havido algumas situações, do conhecimento público, que contribuíram para afastar os jovens dos nossos governantes, mas que este governo, de uma forma inteligente, conseguiu solucionar. Temos um governo dialogante, próximo dos jovens. Basta ver que os ministros estão sempre em contacto com os jovens, a visita-los e a auscultar os seus anseios, mas acima de tudo a resolverem os problemas, como são os casos das dívidas dos formandos juntos das universidades e das escolas de formação profissional, duplicação de número de bolsas de estudos para formação superior, aumento de vagas e bolsas para formação profissional, etc.

2 – Recentemente o Governo anunciou a abertura de estágios profissionais que abrangerá centenas de jovens. Qual o impacto destes estágios na questão do emprego?

O programa de estágio é uma política ativa do emprego. As políticas ativas do emprego são um elemento central do mercado de trabalho, enquanto instrumento de criação de emprego e de combate ao desemprego.

Sob a designação genérica de política ativa de emprego, foi desenvolvida um conjunto de instrumento, nomeadamente: apoio na procura de emprego, estágios profissionais, programas de formação, incentivos ao emprego, empreendedorismo e inserção no mercado de trabalho. Estas políticas podem ajudar aqueles que por uma razão ou outra ficaram desempregados a manterem o contacto com um mercado de trabalho até encontrar um novo emprego. Elas podem impedir a uma pessoa de se tornar num desempregado de longa duração. Alem disso, permite a reintegração dos desempregados de longa duração, bem como de pessoas que se encontram fora do mercado de trabalho.  Por isso, respondendo a sua questão o balanço que faço é positivo, tendo em conta que, de acordo com um estudo do IEFP sobre o impacto dos programas de estágios profissionais implementado, o desemprego diminuiu significativamente entre os beneficiários. Isto é, a taxa de inserção dos estagiários no mercado de trabalho nos últimos 3 anos foi de 60%. Por isso, estou em crer que com os 5 mil estágios que vão ser criado este ano vão criar milhares de postos de trabalhos para os jovens. Se no passado muitos atiraram foguetes porque conseguiam criar 50 vagas de estágios por ano, com 5 mil temos motivos para estar confiante num futuro melhor para os recém-formados.

3 -  Quais as políticas do Governo para o emprego e empregabilidade?

As políticas do governo para este sector são várias, mas gostaria de destacar aqui os que considero mais relevantes e que já estão a dar frutos. Falo da massificação da Formação Profissional, com um orçamento com para financiamento de bolsas no valor de 318 mil contos para comparticipação num período de seis meses, reforço do programa de combate ao desemprego de longa duração com apoio a contratação através do IEFP (comparticipações no salário e no INPS); forte aposta na reconversão profissional, criação de um ecossistema de financiamento as micros, pequenas e medias empresas, redução do IRPC de 25% para 23, programa start-up jovem, criação de um bom ambiente económico com vários incentivos através do Orçamento de Estado, resolução dos transportes marítimos, aumentando a conectividade entre as ilhas, e a facilitação do acesso ao mercado por parte dos operadores económicos e um conjunto de outras medidas que constam no orçamento de estado e que foi promovido em São Vicente uma conferência com os jovens para a sua discussão.  

 4 – Explica-nos melhor o que é isso da Universidade do Poder local, os seus objetivos, principais temáticas abordadas, resultados, etc.

A Universidade do Poder Local é mais uma rúbrica formativa da JpD, cujo o objetivo principal é dotar os jovens com interesse pela política dos rudimentos básicos sobre o poder local e contribuir, também, para a evolução da cultura política no país. A primeira edição aconteceu recentemente em Santa Cruz, já estamos a trabalhar nas próximas edições que vai acontecer em breve. Os temas a serem tratados estão ligados ao Poder local (estrutura e funcionamento, finanças locais), comunicação política, as novas formas de fazer política. Entendemos que estes são temas de domínio obrigatório para quem queira compreender melhor a política e o poder local. A ambição da JpD é que haja cada vez mais jovens no poder local a dar o seu contributo para o desenvolvimento da sua comunidade, por ser o poder mais próximo das pessoas, mais próximo das nossas raízes, com estas formações pretendemos também incentivar os jovens a se interessarem mais pela política, pela participação cívica. Reparamos, por exemplo, que apesar das sessões das Assembleias Municipais serem abertas ao público e estes podem intervir no período antes da ordem do dia, pouco são os jovens que fazem o uso deste espaço para contribuir com as suas críticas para o desenvolvimento do seu concelho. Por isso, estamos em crer que os formandos da Universidade do Poder Local serão munícipes mais ativos nos seus concelhos nos próximos tempos e participarem mais nas sessões das Assembleias Municipais. 

4 – Como líder da JpD, o que achas que é urgente fazer para que tenhamos jovens mais formados e ativos na sociedade.

Os jovens cabo-verdianos são ativos e estão a destacar sempre em diversas atividades. Não é a toa que muitos afirmam que temos a geração mais qualificada de sempre, e os jovens estão bastante ativos. Basta ver que, hoje, estão a sentirem-se mais livres para expressarem as suas opiniões, sem medo de represália de quem quer que seja, organizam manifestações, escrevem artigos de opiniões, dão entrevistas nos jornais expondo sem complexo e timidez e de forma muito crítico, e com sentido de responsabilidade, questões de ordem social e dando sugestões de melhorias etc. Para termos mais jovens na política e nos partidos é necessário haver uma maior abertura por parte dos partidos, acarinharem as ideias dos jovens, em vez de assusta-los, como acontecia no passado, confiar nos jovens e nas suas capacidades. Porque se há jovens a destacarem em outras áreas, é porque não lhes faltam capacidade para levar este país a bom porto. 

TN - Redação

 

 

 

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