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Seg, Jun

Ministro e sindicato de polícia manifestam abertura para diálogo

Política
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O ministro da Administração, Paulo Rocha, e o presidente do Sindicato da Polícia Nacional (SINAPOL) manifestaram esta quinta-feira abertura para o diálogo, para resolver os problemas da polícia, que no final do ano passado realizou três dias de greve.

A Polícia Nacional (PN) realizou em finais de dezembro uma greve de três dias, a primeira da sua história, após terem falhado as negociações com a tutela, relativamente a várias questões, entre elas a atualização salarial dos agentes da PN.

Na altura, o presidente do Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL), José Barbosa, que representa a classe, disse que a polícia estava disponível, mas que não havia condições para negociar com o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha.

Ao discursar na abertura do XII Conselho de Comandos da polícia cabo-verdiana, que está a decorrer na cidade da Praia, o ministro cabo-verdiano disse que está a conversar com os sindicatos no sentido de ter um "clima de estabilidade" no seio da instituição.

Dizendo que o objetivo é criar "condições necessárias e motivacionais num clima de tranquilidade e de equilíbrio", Paulo Rocha garantiu que o compromisso do Governo é continuar a trabalhar para o reforço das condições de trabalho da polícia.

"Nada muda nesse particular", disse, reconhecendo que as questões, problemas, dificuldades e desafios da polícia são muitos.

Paulo Rocha recordou, por outro lado, que no ano passado foram resolvidos vários problemas da PN que perduravam há mais de 10 anos, como as promoções e progressões, nivelamento salarial, investimento na formação, aquisição de meios operacionais e equipamentos de segurança e proteção individual.

Questionado pelos jornalistas sobre a abertura para o diálogo manifestada pelo ministro, o presidente do SINAPOL, José Barbosa, disse que é "muito positiva" e "de salutar".

"Estamos numa fase de reencontro, não está nada definido, mas pelo menos há o interesse da parte do ministro em retratar a questão dos direitos e interesses da polícia cabo-verdiana", afirmou José Barbosa, presente no evento.

"Para além de exortar a questão da responsabilidade dos deveres e obrigações dos profissionais da PN, [o ministro] também abriu esse parêntesis para um reencontro. Da nossa parte é muito salutar. É uma nova hipótese de virmos a tratar as questões contundentes em matéria de direitos e interesses da PN", prosseguiu o sindicalista.

José Barbosa disse que a PN está "expectante" em relação ao seu salário e espera que daqui para a frente haja condições no sentido de conseguir novo salário para a polícia cabo-verdiana.

O presidente do SINAPOL garantiu que não se fala da possibilidade de uma nova greve neste momento.

Na altura da greve, a requisição civil foi decretada depois de ter falhado a negociação para os serviços mínimos, mas não foi respeitada por muitos agentes.

O Governo garantiu que os agentes que não cumpriram a requisição civil serão responsabilizados criminal e disciplinarmente, tendo aberto processos disciplinares.

Questionado hoje em que ponto estão os processos disciplinares, o ministro da Administração Interna disse apenas que ainda nenhum foi concluído.

José Barbosa foi mais preciso e informou que muitos agentes já foram chamados e que decorrem uns "40 ou 50" processos disciplinares.

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