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Sex, Nov

#Autárquicas’2016: A escolha (difícil) dos candidatos

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1. O Movimento para a Democracia (MpD), através da sua Comissão Política Nacional (CPN) e pela voz do Coordenador Nacional das Autárquicas, Rui Figueiredo, acaba de oficializar os nomes dos vinte e dois (#22) candidatos escolhidos ao cargo de Presidente de Câmara nas eleições autárquicas do próximo dia 4 de Setembro, de conformidade com os Estatutos que atribuem esta responsabilidade a este órgão, conjugado com o Modelo e o respectivo Regulamento aprovado em sede da Direcção Nacional (DN) do Partido.

 

2. Naturalmente, como em qualquer processo de escolha, mormente por se tratar de uma decisão política, houve pré-candidatos, dirigentes e militantes que não concordaram com a decisão tomada, manifestando de forma frontal a sua insatisfação - como deve ser apanágio de um partido que propugna pela liberdade e democracia - mesmo (re)conhecendo no modelo adoptado (a utilização das sondagens como critério adicional de apoio à decisão, mas não único) virtudes e avanços significativos em relação a processos anteriores, o que não inviabiliza, contudo, limitações ainda existentes e susceptíveis de serem aprimoradas... que não foram depuradas no longo processo em que o modelo foi sujeito a debate nas estruturas do partido, antecedendo a aprovação do respectivo regulamento pela DN.

3. Por respeito às opiniões contrárias, não é o meu propósito vir fazer a defesa pública das escolhas feitas pela CPN, por razões mais do que óbvias, mais não seja pelo caracter colegial da decisão, que se presume tomada (sempre) no superior interesse do Partido, mas que resulta de uma multiplicidade de factores e da conformação de várias vontades, interesses e perspectivas de análise, como acontece em qualquer decisão de natureza política... mas, também, na nossa vida.

4. Nesta ocasião, parece-me oportuna e necessária, sim, recordar que tem sido esta mesma CPN, liderada pelo Presidente do MpD, e hoje Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva que, desde Julho de 2013, tem conduzido os destinos do Partido e tentado interpretar, com maior ou menor sucesso, as aspirações dos seus militantes e simpatizantes (e dos cidadãos cabo-verdianos), com os (bons) resultados que se conhece, não obstante as fortes críticas e as discordâncias de fundo manifestadas por quem entendeu, de forma perfeitamente legítima, assinale-se, que o caminho seguido não era o mais adequado, a ponto de ter vaticinado, aqui e acolá, o fim da linha para o Partido.

5. Esta caminhada, cujo primeiro ciclo deverá ser fechado com a Convenção agendada para o 1º trimestre de 2017 - porquanto o calendário atípico do ano eleitoral de 2016, não permite a sua realização coincidente com o final do mandato de 3 anos, conforme decisão sufragada pela DN - como qualquer outra, não terá sido feita sem erros ou equívocos, mas seguramente procurou ancorar-se sempre, não só na defesa dos valores, princípios e superiores interesses do MpD, como fundamentalmente na causa maior que deve orientar a acção política: CABO VERDE!

6. Neste cenário, sou de opinião (no pressuposto de que também terei direito a ela, em igualdade de circunstância com os demais, ainda que com responsabilidades diferentesque seria de todo prudente e conveniente, em nome destes mesmos interesses, que as críticas e as discordâncias legítimas não resvalassem para ataques pessoais, no caracter e na honra do colectivo da CPN e, muito menos, dos candidatos escolhidos, por mais reservas (e até desconfianças) que possamos ter sobre uns e outros. 

É que não podemos nos esquecer que (em princípio) somos todos colegas e o nosso adversário são os desafios que temos pela frente na governação do País e das ilhas/concelhos, em prol do desenvolvimento desta Nação e da felicidade dos cabo-verdianos.

 

Publicado por Luís Leite em: http://palavradolho.blogspot.com