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Sex, Nov

Este é o título de um editorial que escrevera há já alguns anos em relação a uma certa situação que se vivia em Cabo Verde. Na altura, esperava-se que alguém assumisse as responsabilidades e serenamente se demitisse.  Tal, então, não aconteceu porque achou-se simplesmente que não. 

Passa pela nossa televisão pública e pela internet a segunda edição do reality show completamente cabo-verdiano, Casa do Líder. Lá dentro, numa mansão de luxo, estão encurralados uns indivíduos sedentos de fama mais do que qualquer tipo de aprendizagem sobre liderança e mais do que o valor do prémio que, diga-se, não é pouco para um país como o nosso. 

Já se disse e se ouviu por aí, vindo de várias direcções, que em Democracia, esse regime que desde a queda do artigo 4 temos vindo a construir, ninguém perde. Isto é, quando o povo livremente e sem condicionalismo de nenhuma ordem fala tem sempre razão e fala sempre bem.

Por Frei Gilson Frede, diretor

Entramos 2016 em plena campanha eleitoral e já dá para notarmos que dos nossos políticos, desta vez, ainda, não podemos esperar grandes lições de democracia. Os sinais são evidentes: os pobres voltarão a ser usados para se conseguir chegar ao poder. Foi sempre assim, desde que podemos votar em Cabo Verde. O pior é que, mesmo entre jovens, começa a ser normal ser pago, ainda que irisoriamente, para votar ou, pior ainda, não votar. Que vergonha!