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Dom, Dez

Papa e Trump falaram na promoção da paz através da negociação política

Vaticano
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O papa Francisco e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantiveram hoje um diálogo cordial durante o qual falaram sobre "a promoção da paz no mundo" através da negociação política, segundo divulgou a Santa Sé.

Vaticano indicou que na conversa, que decorreu hoje de manhã na biblioteca papal e durou cerca de 30 minutos, Francisco e Trump mantiveram um "intercâmbio de pontos de vista sobre alguns temas relacionados com a atualidade internacional e a promoção da paz no mundo".

De acordo com a Santa Sé, os dois representantes frisaram durante o encontro que o desígnio da paz e a respetiva promoção deve passar pela "negociação política e o diálogo inter-religioso, com especial referência à situação do Médio Oriente e à proteção das comunidades cristãs".

Durante o encontro, segundo registou o Vaticano, constatou-se "satisfação pelas boas relações bilaterais existentes entre a Santa Sé e os Estados Unidos" e os dois líderes expressaram "o compromisso comum a favor da vida e da liberdade religiosa e de consciência".

Em tom de conclusão, a Santa Sé referiu que após a reunião entre o papa e Donald Trump espera uma "serena colaboração entre o Estado e a Igreja Católica nos Estados Unidos", em especial no apoio às populações em áreas como "saúde, educação e assistência aos imigrantes".

O encontro entre Trump e Francisco era aguardado com expetativa, uma vez que estas duas personalidades têm expressado posições divergentes sobre várias matérias.

Questionado sobre Trump em fevereiro de 2016, quando o magnata do imobiliário era um dos candidatos à nomeação presidencial do Partido Republicano, o papa afirmou: "Uma pessoa que quer construir muros e não pontes não é cristão".

As palavras de Francisco foram mal recebidas por Trump, que respondeu que considerava "vergonhoso" que um líder religioso "questionasse a fé de uma pessoa".

"O papa ouviu uma versão da história, não viu a criminalidade, o tráfico de droga e o impacto económico negativo que as políticas atuais têm sobre os Estados Unidos", insistiu Trump, defendendo o seu projeto para a construção de um muro na fronteira com o México.

Todavia, no dia seguinte quis atenuar a tensão criada, ao dizer que o papa era "um tipo incrível", enquanto o Vaticano assegurou que Francisco não quis fazer um "ataque pessoal nem dar nenhuma indicação de voto".

Hoje em Roma, e após o encontro com o pontífice, Trump referiu apenas que teve "uma reunião fantástica" com Francisco.

"Foi uma honra estar com o papa", disse aos jornalistas, antes de um encontro com o primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni.

E acrescentou: "Ele é especial".

Antes deste encontro com Paolo Gentiloni, o chefe de Estado norte-americano esteve com o seu homólogo italiano, Sergio Mattarella.

Enquanto Trump estava com o Presidente italiano, a primeira-dama Melania Trump visitou um hospital pediátrico em Roma e a filha do governante norte-americano, Ivanka, esteve na comunidade católica de Santo Egídio, no bairro romano de Trastevere.

A comitiva presidencial norte-americana seguiu depois para Bruxelas, onde Trump participa na quinta-feira na sua primeira cimeira de líderes da NATO. A comitiva regressa depois ao território italiano, onde o Presidente norte-americano vai participar na cimeira dos líderes dos sete países mais ricos (G7), que terá lugar na Sicília (Itália), em 26 e 27 de maio.

Trump iniciou na sexta-feira passada, na Arábia Saudita, o seu primeiro périplo internacional desde que tomou posse a 20 de janeiro deste ano.

 

 

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